segunda-feira, 10 de setembro de 2007

ANGOLA... NA HISTÓRIA E NA LENDA - II

Em Angola têm-se descoberto importantes vestígios de antigas civilizações, como será o caso de Galanga, em Cassongue, no Quanza Sul, a cerca de 120 Km. de Nova Lisboa, a actual Huambo. Foram alí encontradas pinturas rupestres, alguns utensílios e um ossário datados de um período situado entre 2.115 e 6.000 anos a.C., ou seja da Idade da Pedra.
No Monte Negro, no extremo Sul de Angola, a escassos 300 metros da margem direita do Rio Cunene, foram também localizadas pinturas efectuadas na rocha, que se supõe remontarem igualmente à Idade da Pedra, embora o local tenha sido frequentado até épocas bastante recentes. Também perto do Lubango, em Capanhongue, foi descoberta uma estação paleolítica com milhares de instrumentos, que parece indicarem a existência de uma cultura própria, talvez semelhante à que foi encontrada na Namíbia. As pedras furadas encontradas na Lunda têm características bastante semelhantes às que têm sido encontradas noutros Continentes e em toda a África, desde o Egipto à África Sul. Muitos dos achados arqueológicos, designadamente as pinturas rupestres de Caninguiri (10.000 a.C.), do Congombe, Benfica, Farol das Palmeirinhas, Tchitundo-Hulo (3.000 a.C.), Macahama, Quibala, Bembe, N'Zeto, Negage, Samba Cajú e outras, demonstram que o território Angolano foi habitado desde tempos imemoriais, de Cabinda ao Cunene, do Miconge ao Cassai ou à Luiana.
Os Khoisan - bosquímanes e hotentotes - constitui o grupo humano à mais tempo ocupante do território Angolano, pois ter-se-ão fixado nestas regiões há mais de 11.000 anos. Sabe-se também que os Cuissi ou os seus antepassados habitaram a região do Tchitundo-Hulo, no Deserto de Moçâmedes, que seria então uma região verde, há mais de 3.000 anos.
O primeiro estado conhecido, organizado segundo a estrutura geral da civilização banto, é o Reino do Congo, cuja fundação teria tido lugar no século XIII. Mani Kabunga era o chefe dos chefes dos clãs que habitavam os territórios entre os rios Congo e Dande. Teria, segundo a tradição, sido vencido por Mutino Mbene, o filho mais novo do chefe do clã Bungu, tributário do reino Loango, a Norte do Rio Congo. Mutino teria então casado com a filha do Mani Kabunga, aconselhando os seus homens a casarem com as filhas dos chefes locais. O Reino ficou dividido em províncias: Soyo, Nsundi, Mpango, Mpemba e Mbamba. Cada uma era dirigida por um governador nomeado pelo Rei., cujo poder se estendeu além fronteiras, pois os Reinos de Ocanga, Musuco, Matamba, Dembos, N'Gongo, Kissama e outros eram tributários de facto do Rei do Congo, que governava directamente a província de Mpemba, onde se encontrava a capital.
Como veremos, muita água correu nos rios, muitas gerações se sucederam até que a cidade de São Paulo de Loanda, fundada por Paulo Dias de Novais, viesse a ser a Capital que encanta quem por mar chega à sua maravilhosa baía. A bela cidade de Luanda, que na fotografia se nos apresenta deslumbrantemente iluminada, foi obra de Portugueses, que souberam dar "novos mundos ao mundo!"
Sabemos como Portugal é obra de Portugueses, que souberam deixar a sua marca quando demandaram o mundo "...por mares nunca dantes navegados...", de tal modo que Camões dizia que "...cantando, espalharei por toda a parte o peito ilustre Lusitano, se a tanto me ajudarem engenho e arte!".

1 comentário:

http://torredeterra.blogspot.com disse...

O conteudo do presente texto não me é de todo desconhecido, não estivesse eu em Angola, ainda que como militar,na zona de QUIBALA (Norte), ficando preso àquela terra pela fascinação que ela sempre provoca a quem lá pôs e põe o pé.
Relativamente aos achados arqueológicos com milhares de anos, muita coisa se me escapa. Por isso agradeço que me informem, se for possível, se a QUIBALA a que se refere o texto é a QUIBALA do Loge, nas proximidades de N'zeto e de Quimaria, ou é a Quibala Vila, muitos kms a sul de Luanda.
Muito grato a quem me ajudar.
Contactos: sergio.o.sa@sapo.pt ou tlm. 914 268 141
Cordiais saudações.
Sérgio O. Sá