quarta-feira, 22 de agosto de 2007

*...TERRA DE SANGUE...*

- Quem chega a Angola, vindo pelo ar, depressa se depara com um solo avermelhado, como se este houvesse sido tingido com sangue... o que impressiona quando se sabe terem sido aquelas terras generosamente regadas com sangue inocente de tantos homens, mulheres e crianças, de todas as idades e etnias, brancos e negros, que encontraram a morte nas catanas e canhangulos usados pelos "heróicos" terroristas da União dos Povos de Angola, ou Frente Nacional de Libertação de Angola, nascida da anterior União, ambas lideradas por Holden Roberto, e do Movimento Popular de Libertação de Angola, de que era líder o Dr. Agostinho Neto.
- Compulsando a História de Portugal, não encontro relato algum que indicie ser o solo de Angola uma terra vermelha de fogo ou sangue... e no entanto, sabe-se que Diogo Cão e o seu escrivão de bordo dão a el-Rei de Portugal a devida conta de tudo o que encontraram naquele Reino do Congo, quando o demandaram em 1482, reinando Nzinga Nkuvu, que se converteu ao Cristianismo, possibilitando o desempenho de um duplo papel: - Os Portugueses, que era presumido apenas pretenderem usar os portos da região para as suas naus que demandavam terras da Índia, passaram a exercer grande influência cultural e social e os Reis do Congo esperavam assim receber auxílio técnico e económico.
Mas é a terra Angolana que está em análise, mercê da sua coloração rubra, de um escarlate que mais parece ser prenúncio do derramamento de sangue que aconteceu no início da década de 60, mas que se veio a prolongar com a guerra civil suscitada pela ânsia de protagonismo no espectro político pós independência. Mas isso será tratado mais aprofundadamente quando oportuno, porque é assunto que dará muito pano para mangas, quando dissecado.
- Diz-se ser o ferro, existente em profusão no subsolo Angolano, que dá aquela côr de "ferrugem" à terra, o que nem sequer duvido, mas ficará sempre a impressão de se estar a sobrevoar um local onde o sangue foi derramado em profusão... e a história de Angola está recheada de relatos de lutas entre os vários Reinos existentes desde os tempos pré-coloniais, estendendo-se estas até aos nossos dias, onde a morte de Jonas Savimbi, o fundador da União Nacional para a Independência Total de Angola, foi o último acto de uma guerra absurda - como o são todas as guerras, diga-se - que destruiu todo o tecido económico, o património construído e o potencial humano de uma Nação ainda com uma incipiente independência, pois não havia quadros em Angola e a debandada dos "colonos" brancos - e de milhares de naturais negros - ainda veio agravar mais as dificuldades.
- Podem os homens de hoje mudar a côr da paisaigem através do aumento da área urbanizada e da asfaltagem das estradas que rasgam Angola de "Cabinda ao Cunene", mas terei sempre na retina a primeira imagem de uma terra pintada de sangue, talvez vertido por aqueles que fizeram Angola... mas pagaram com a vida a ousadia de amarem aquele território que era uma parte importante da Pátria distante: PORTUGAL!

1 comentário:

Camilo disse...

Elias, meu Grande Amigo...
Jamais, jamais perdoarei aos traidores do 25 d'abril.
Que todos ardam nas profundezas do Inferno.
Para mim ainda é pouco!!!