terça-feira, 21 de agosto de 2007

COMO SE FOSSE UM PREFÁCIO...


Faz parte do comportamento humano o querer guardar memórias da vida, especialmente quando estas memórias representam momentos fortes capazes de consolidar a personalidade de cada um.
A Guerra em Angola veio apanhar muita gente desprevenida, a todos os níveis, porquanto se julgava que, pelo facto de Portugal não haver participado na II Guerra Mundial, afastaria qualquer ameaçã de agressão perpetrada por qualquer Nação... a não ser que deflagrasse um conflito interno em qualquer parte dos nossos territórios africanos... como foi o caso de Angola.
Estará ainda bastante fresca a memória daqueles dias da guerra, da qual se sabia a data de eclosão mas ninguém adivinhava o fim!
As carnificinas perpetradas pelos terroristas da UPA, criadas pelo pró-Americano Holden Roberto, tiveram início a 15 de Março de 1961, quando o Norte foi posto a ferro e fogo, com milhares de mortos, brancos e pretos, que não puderam fugir à sanha assassina de "animais" humanos que, toldados pelo álcool, pelas drogas e pelos constantes incitamentos de "feiticeiros" que os aliciavam com a imortalidade perante o colono branco.
Os assaltos à Casa de Reclusão, à Esquadra e Comando da Polícia de Segurança Pública de Luanda ou à Emissora Oficial de Angola, acontecidos em 04 de Fevereiro do mesmo ano, podem considerar-se como as datas do início da luta armada na Província.
O Governo Português, fazendo o que lhe competia, respondeu aos traiçoeiros ataques através do envio para o terreno de enormes contigentes de forças militares e policiais, arrancando assim jovens na flôr da idade ao seio das suas famílias, para serem enviados para uma terra distante, absolutamente desconhecida, cheia de mistérios escondidos nas densas matas e selvas Angolanas, porque era necessário combater um inimigo sem rosto, que matava sem dar a cara, como é próprio de um sistema de guerra em que o ataque de surpresa é uma constante.
Para fugirem do teatro de guerra, houve muitos que optaram pela "fuga" para as terras de emigração, mas aqueles que ficaram mostraram bem ser dignos de figurar nos anais da memória de todo um Povo, porque deram a cara, sabendo dizer "PRESENTE" quando a Pátria os chamou!
Neste BLOG irá falar-se de tudo um pouco... e de nada, se fôr essa a vontade dos leitores!
Procura-se dar a conhecer o Aeródromo Base nº. 3, falar da Vila do Negage, das suas gentes, aspirações e angústias, com histórias de vida de quem ali soube ser fiel à sua condição de Português!
Este BLOG pretende dar um contributo para homenagear a memória de quantos construiram o Aeródromo Base nº. 3 e o Negage, porque estavam cientes de ser um dever inalienável a defesa do sagrado solo Pátrio de Aquém e Além Mar, que dava pelo nome de PORTUGAL!
Não invocaremos saudosismos bacocos ou a auto-promoção de feitos heróicos presumídos ou de folclore, mas iremos tentar honrar "aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando", como dizia o nosso imortal épico Luiz Vaz de Camões, que também afirmava "honra-se a Pátria de tal gente..."!
No Aeródromo Base nº. 3 formámos uma família, que se orgulha de ter servido a Força Aérea Portuguesa com denodo e lealdade, "com o peito às armas feito", jamais regateando esforços no cumprimento das missões que nos foram confiadas... e isso nos engrandece, pois honrámos a Bandeira que, um dia, jurámos defender... mesmo com o sacrifício da própria vida!
Alguns dos nossos amigos não puderam regressar, mas deles é a nossa memória, a nossa saudade, pois deles ousamos sentir orgulho, pois eram os melhores de nós próprios!

"CANTANDO ESPALHAREI POR TODA A PARTE, O PEITO ILUSTRE LUSITANO... SE A TANTO ME AJUDAR ENGENHO E ARTE!"
O lema do Aeródromo Base nº. 3 era " MUITO PODE QUEM QUER", e nós mostrámos que quería-mos, sentindo pleno orgulho em ter sido participantes na construção de uma grande Unidade, que muito elevou a Força Aérea e foi uma honra e orgulho para Portugal!

Sem comentários: