segunda-feira, 27 de agosto de 2007

NO A.B.3 - À descoberta

- A chegada ao Aeródromo Base nº.3 superou todas as espectativas que tinha, porque era uma Unidade no mato e eu esperava encontrar qualquer coisa uns passos abaixo do que vi na Base Aérea nº. 9, em Luanda, que me desencantou pelas instalações pobres e os arruamentos cheios daquela areia "estranha" que eu vira no percurso do Aeroporto para a Base. Era práticamente toda construída à base de pré-fabricados "Tarjinha", ou seja: em placas de madeira, cartão prensado e esferovite, revestidas a chapa de alumínio martelado. As portas de ferro, bem como as janelas - que tinham uma parte fixa e outra móvel - sendo a cobertura efectuada por placas de chapa ondulada em folha de zinco. Os tectos eram em fibrocimento. Quando chovia... meus amigos... parecia haver um ataque inimigo e estaria a caír metralha sobre os telhados, tal a barulheira.
- Havia algumas artérias bem asfaltadas, só sendo pena as paradas estarem a necessitar de um tapete que permita dar-lhe outro uso nos dias de chuva, pois nessa altura parecem autênticos lagos. A Messe e Clube de Oficiais, a Esquadrilha de Abastecimentos e a Cantina são os locais mais importantes quanto a estruturas, uma vez que são construções em alvenaria e telha tipo Lusa na cobertura. Há outras pequenas construções com elevações em tijolo ou adobe de cimento, como é o caso da Esquadrilha de Transportes Auto, a Central Eléctrica ou a Secção de Combustíveis e as cozinhas das Messes. Também as divisórias nas Oficinas Gerais são al alvenaria de tijolo... mas não há muito mais infraestruras deste tipo a referir. Este poema que se segue, foi feito num momento de ironia...

É isto o A.B.3?

Não sei se isto é Angola
ou um parque de zoologia...
...mesmo que aqui se jogue à bola
vejo coisas, quem diria
que não mexem com a bicharada!
Tenham certo que por vezes
há por cá muitas "peneiras"
porque um se chama Lindo...
...e sabendo ser isto uma asneira
até há um que é Formosinho!...
Também o Rosa, o Flôr ou o Cravo,
o Loureiro, o Pereira, o Marmelo...
...ou o Silva, o Madeira e o Abelha
e mesmo o Ginja... o Caramelo,
ou o Machado, o Serra e o Martelo,
o Prego, o Cartaxo e o Bragança,
o Geadas, o Velhas ou o Lança!
E que dizer de tantas cores?
O Amarelo, o Branco, o Roxo...
...todos eles uns amores
como o Verde ou o Vermelho
e por hoje disse tudo...
ou então não chego a velho!

Victor Elias
1º.Cabo 264/63-A



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