Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

PARA TODOS OS AMIGOS DESTE BLOG

OS DESEJOS SINCEROS... 

Domingo, 11 de Setembro de 2011

o 11 de Setembro...

É sempre duro morrer por causa fundamentalista, por causa de um fanatismo capaz de usar o terror da forma mais hedionda que se possa imaginar, como foi o acontecido no dia 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque. Morreram mais de 3.000 americanos e muitos emigrantes que ali trabalhavam. O ataque às Torres Gémeas foi uma pura manifestação terrorista, que o mundo deve condenar.
No entanto, quando reflito sobre este trágico acontecimento que enlutou a América, não posso deixar passar em claro o facto de ter sido um Presidente dos Estados Unidos, de seu nome John Kennedy, quem incentivou os Movimentos Independentistas da então África  Portuguesa a pegarem em armas e expulsarem os portugueses através do terror. Esse acabou por pagar com a vida esta e outras posições tomadas, pois quem incentiva o terrorismo é justo que pague as vidas inocentes com a própria vida.
Lee Oswald foi o executor. Foi desde logo apelidado de terrorista... mas mais não fez que liquidar quem apoiava este método de actuação.
Se em 2001 a América chorou 3.000 mortos, em 1961 Portugal chorou em Angola mais de 8.000 vítimas de um crime terrorista cujo inspirador e financiador era... americano e Presidente de uma Nação que se diz defensora das liberdades.
O caricato da situação é o inspirador do ataque às Torres Gémeas ter sido treinado pelos Estados Unidos. A obra virou-se contra o criador, que teve de acabar por o mandar matar, para evitar males maiores.
"O terror combate-se com o terror", dizem alguns teóricos, mas as consequências são sempre sofridas por quem não tem qualquer culpa. Foi assim no terrorismo da UPA ou do MPLA, não colocando a UNITA de fora, porque também o praticou. Os Estados Unidos não estão isentos, porque maior terror que aquele que a CIA vai promovendo não é imaginável!
Os mortos são sempre o elo mais fraco, porque apanhados no meio dos interesses desses que se dizem guardiões da democracia e da liberdade... mas que vendem as armas que causam o terror entre os homens de boa vontade.
Quem com ferros mata... com ferros morre!

Sábado, 13 de Agosto de 2011

IMBONDEIRO - Um símbolo de África...

Tem uma aparência lúgubre,  misteriosa, mas também bastante solene e bela essa grande árvore de que se poderá afirmar ser um símbolo  de África. Na idade adulta apresenta-se com um aspecto  fossilizado, mas o imbondeiro,  além de marcar uma paisagem que é tradicionalmente árida, remete-nos para outros significados, sendo talvez o motivo porque é cercado de lendárias tradições .
Os baobás, embondeiros, imbondeiros ou calabaceiras (Adansonia) são uma árvore com oito espécies, nativas da ilha de Madagascar (o maior centro de diversidade, com seis espécies), do continente africano e da Austrália (com uma espécie em cada).
As espécies alcançam alturas entre de 5 a 25 m (o máximo 30 m), e atingem até 7 m (excepcionalmente 11 m) de diâmetro no tronco. Destacam-se pela sua capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode atingir os 120.000 litros.
Os baobás desenvolvem-se em zonas sazonalmente áridas, e são árvores de folha caduca, caindo as folhas durante a estação seca. Alguns têm a fama de viver vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, é impossível atestar a veracidade desta afirmação...  e há poucos botânicos a darem crédito a essas reivindicações de idade extrema.
Em Angola, são às centenas aqueles que vemos espalhados pela savana. Ao entardecer, ele adquire uma beleza ainda maior e o seu aspecto  escuro contrasta com aquela coloração róseo-alaranjado que, no poente, acaba por nos  revelar toda  a sua majestosa  imponência .
Uma das muitas lendas que se contam sobre o imbondeiro, diz  podem viver cerca de seis mil anos. Ora se tal correspondesse à verdade, os imbondeiros teriam assistido à chegada de Diogo Cão... e teriam os mesmos imbondeiros assistido à partida dos portugueses, no alvor da independência.  Seria assim bastante possível a história de que os imbondeiros existentes ao lado do Museu da Escravatura, em Luanda,  tivessem testemunhado os embarques de escravos angolanos para o Brasil.
As folhas brotam entre os meses de Julho e Janeiro. Regra geral, o imbondeiro floresce durante uma única noite, no período de Maio a Agosto. Durante as poucas horas da abertura das flores, os consumidores de néctares nocturnos,  particularmente os morcegos , procuram assegurar a polinização da planta.
Tudo no imbondeiro pode ser utilizado para a sobrevivência do ser humano. Ressalte-se que esta árvore também se constitui numa preciosa fonte  de medicamentos, pois as suas folhas são ricas em cálcio, ferro, proteínas e lípidos, para além de serem usadas como um poderoso anti-diarreico e para combater febres e inflamações. Um pó feito de folhas secas está a ser utilizado para combater a anemia, o raquitismo, a disenteria, o reumatismo, a asma, e é ainda usado como tónico

Domingo, 31 de Julho de 2011

FOI HÁ 50 ANOS...

Há 50 anos atrás, um grupo de Militares pertencentes à Força Aérea, idos do Portugal Continental distante - vulgo a Metrópole... ou o "Puto" -, deu início a uma das mais extraordinárias cooperações entre Homens de vontade férrea, como ficou demonstrado    ao  darem as mãos para a  construção de um futuro comum.
O A.B.3, de acordo com os estudos feitos pelas Infraestruturas da Força Aérea, era para ser,  inicialmente, construído em Carmona, a cidade capital do distrito, que ficava a 33 kilómetros do Negage e até já possuía um pequeno aeródromo.
Era esta região que,  na altura,  a grande produtora de  café em toda a Angola.
O N'gage, ainda vila, albergava no seu seio o homem mais rico de Angola, um senhor de grandes teres e haveres, dono e senhor de muitas plantações de café, para além de outros negócios como o marfim, a copra, o sisal, o algodão, os vários minérios, a caça, a panificação, o descasque de café, a restauração, a construção civil, os transportes terrestres, a agro-pecuária, os  frutos diversos como a banana, o ananás, o mamão, o amendoim. etc...etc... Este homem era o bem conhecido João Ferreira.

É corrente dizer-se ter sido  ele quem cedeu os terrenos para a instalação do Aeródromo e que também foi ele quem começou  rápidamente  com as terraplanagens para a construção de uma pista, que a Força Aérea logo  aproveitou para nela vir a ser  construido o seu Aerodromo Base nº 3.
50 anos são passados... e uma nova realidade é hoje vivida naquela que foi a Unidade menina dos olhos da Força Aérea Portuguesa em Angola. A independência tornou aquele espaço de algum modo importante para a novel Força Aérea Angolana. Não foi fácil, porque houve entretanto uma guerra civil e as feridas profundas que este conflito causou ficaram bem patentes na destruição das infraestruturas do antigo Aeródromo Base Nº. 3, que ficou completamente inoperativo por largo tempo.
Hoje, recuperada, a pista, o Negage volta a ser operada por aviões, mas nada comparado com aquilo que foram os voos  ali efectuados entre 1961 e 1975.
As saudades são imorredoiras, pois aqueles que um dia demandaram o Negage, jamais o esqueceram!

Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

AINDA ME RECORDO...

...de como era engraçado vêr miúdos feitos soldados, de arma maior que eles a tiracolo, vestidos com aquilo que calhava, porque não abundavam os meios necessários para ser comprada ,a farda com que um dia terão sonhado... porque nem todos estavam nas boas graças dos "donos da guerra", fossem lá eles quem fossem.
Quando eclodiu o terrorismo, digo, começou a guerra pela independência, porque essas coisas do terrorismo não eram bem vistas pela população autóctone, já que ficavam todos a pensar que os pretinhos comiam criancinhas ao pequeno almoço, como os comunistas faziam, diz-se, porque eu nunca vi, houve logo quem colocasse a ideia de que os brancos iam ser corridos para o mar, porque os brancos não iam aguentar muito tempo o palmilhar o mato sem descanço.
Afinal enganaram-se, pois quem não tinha forças não estava em Angola há já muito tempo. Foram os que não sentiam no peito o pulsar de um Povo que havia apostado tudo no progresso... mas foi traído e forçado a desistir. 
Ouço dizer que os que agora vão para Angola, vão ter uma nova  maneira de estar com aquele Povo, mas tal não é possível, porque não há aqueles que venderam o pouco que por aqui tinham e foram para as matas mourejar, ganhar o pão com o suor do rosto, tudo dando por aquela terra e nada recebendo em troca a não ser doenças, desilusões, traição, morte, roubo e todo um desfilar de situações nada condizentes com a figura que alguns quizeram fazer crer haver acontecido!
Foram muitos aqueles que nada trouxeram de seu... exceptuando a vida, bem maior que ainda hoje agradecem a Deus ter conservado, porque houve necessidade de começar de novo. Ainda se os naturais tivessem uma vida com dignidade e não a pobreza extrema que se vive numa determinada Luanda...
É chegado o tempo em que todos não são demais para dar a Angola tudo aquilo que ela merece! Há alguns Homens de boa vontade, mas não podem ser apenas "alguns", mas sim TODOS!!!
Ainda me recordo que o Povo do Negage era um Povo feliz! E eu também me sentia assim, porque fazia parte desse Povo!

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

As Minas... um desespero!

Para ser sincero, ainda me arrepio quando recordo o cotejo de horrores que me assolavam quando via chegar à Enfermaria do AB3 alguma evacuação com pessoal atingido que havia sido vitimado pelos estilhaços de metal originados pelo rebentamento de uma mina.
Estas terão sido, sem dúvida, uma das mais temidas acções acontecidas no teatro da guerra que tivemos de combater em Angola. 
Eram usadas isoladamente  ou como componentes das emboscadas perpetradas contra os nossos homens, uma vez que o IN estava ciente de que as variadas minas utilizadas, fossem pessoais ou anti-carro, eram limitativas da acção das Tropas portuguesas  no campo táctico e logístico, pois conseguiam provocar atrazos na distribuição dos reabastecimentos às Unidades combatentes  e destruíam as viaturas com elevadas baixas nas Tropas. E não era displicente o gozo que ao IN dava a desmoralização que causava o rebentamento de uma mina, pois os Soldados viam in-loco que os homens vindos das matas estavam mais preparados para matar do que perecia.
Não sei se estarei mais ou menos próximo da verdade, mas acredito que entre 50 e 60% das baixas portuguesas, no que a mortos e feridos respeita, foram causadoas por este tipo de engenhos de morte, que seria mais que tempo verem a sua utilização proibida pelas entidades que "orienta" estas coisas das guerras, como sejam a ONU, com o seu Conselho de Segurança, o Tribunal de Haia, o Parlamento Europeu... mas fundamentalmente os grandes fabricantes deste tipo de artefactos, desde os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a França, a China... e principalmente a Rússia.
Mas não se pense que as Forças Armadas Portuguesas não usavam este tipo de material. Usavam, especialmente para formar protecção às instalações, minando as áreas envolventes dos Quartéis e Bases, para proteger as Tropas na transposição de itinerários para estacionamentos temporários, durante a noite, e para provocar baixas ao IN, minando os   pontos de passagem  dos guerrilheiros.
O IN tudo aproveitava para fazer as suas minas, mas utilizava maioritáriamente as anti-pessoal e anti-carro. Mas também improvisava os chamados "fornilhos", utilizando granadas não explodidas, bombas de avião, tudo conjugado com explosivos e accionados por um  detonador, que poderia ser pirotécnico ou eléctrico, conforme o caso.
Estou em crêr que a primeira mina utilizada pelo IN contra as nossas Tropas foi uma anti-pessoal que foi descoberta no Norte de Angola em Junho de 1962, salvo erro na estrada que ligava Zala a Vila Pimpa. Já a primeira anti-carro apareceu seis dias depois da primeira, no dia 11 ou 12 de Junho, na pista de aviação do Bembe, igualmente em Angola.
Sabe-se que ainda hoje há quem morra nas Repúblicas conquistadas a Portugal pelo Movimento do 25 de Abril - foi este que ganhou a guerra contra as Forças Armadas Portuguesas -, porque ainda há minas espalhadas pelo solo da Guiné, de Angola ou de Moçambique. Mesmo que sejam minas colocadas pelo IN, um pouco sem controle, devem ser de imediato erradicadas do terreno, para que não haja mais vítimas de um artefacto de morte que teima continuar o seu papel de tragédia, sangue, morte, sofrimento, amputações... sabe-se lá até quando!   

Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

ANGOLA ONTEM, HOJE, AMANHÃ...

Nunca será demais pensar no que poderia ter sido um País que tivesse sido ordenado territorialmente segundo o pensamento de Norton de Matos, um Governador de Angola que a pensou no mínimo detalhe, enquanto o cérebro se lhe povoava de ideias capazes de tornar Portugal um País digno dos seus fundadores e dos continuadores da obra gigantesca de continuar a ser uma Pátria grande entre as maiores, porque as nossas fronteiras eram a imaginação do Homem e não uma linha imaginária que pudesse ser demarcada a limitar as nossas fronteiras.

Jorge Maria Norton de Matos, que nasceu em Ponte de Lima e foi General do Exército, Governador Geral de Angola, Ministro das Colónias e Alto Comissário de Angola, entre outros cargos, ponderou sériamente na hipótese de que Nova Lisboa - a sua cidade - viesse a ser a capital de Portugal, tornando-se a então Metrópole numa estância de turismo para retemperar forças depois de alguns tempos a labutar em África. Para que tal hipótese pudesse vingar, imaginou a hipótese de ser comprada à Zâmbia uma faixa de terreno que ligasse a zona do Cazombo, em Angola, à zona de Furancungo/Fingoé, em Moçambique, fazendo um único País englobando os dois territórios.

Haveria algum País capaz de concorrer com um Portugal com tal dimensão?

Mas... este era o sonho de Norton de Matos e ele acordou para a realidade quando concorreu à Presidência da República Portuguesa! De comunista, fascista, colonialista para baixo, tudo servia para o vilpendiar... e ele levou para a cova a angústia de vêr o seu País entregue às diatribes de uma click governante que nada de bom augurava para o futuro do País! Por certo alguns "angolanos" de ontem não aceitarão a minha ideia de que na Angola colonial havia muitas coisas boas, a par de outras que serão para esquecer, de tal modo nos fazem doer a alma. Entre as coisas boas está a capacidade que algumas pessoas tiveram de levar as suas vidas para diante, não pensando no resultado final do "jogo da descolonização" mas sim naquilo que poderia ser útil a uma Angola que viesse a conseguir a almejada independência. E foram esses que deram ao quotidiano de Angola uma dimensão jamais imaginada, criando progresso, construíndo futuro... ainda que o mesmo progresso, o mesmo futuro, tenham sido malbaratados por aqueles que resolveram tornar-se senhores do território, "donos do pedaço", no dizer do Povo irmão do Brasil. E então é pugnar por arranjar cada vez mais "interesses" abandonados pelos "colonos em fuga", não importando a razão porque o fizeram. Foram embora, perderam!

Só assim se torna possível haver um pseudo general do MPLA a comprar um restaurante de luxo no Guincho - Cascais, pois fartos de estar a lidar com gentes que nada lhe dizem está ele. O trabalho na mata foi bem remunerado, pois o Povo pode bem aguentar mais uma ditadura até ter direito a pão para comer, mas as gentes do MPLA não!

Só esperamos que o amanhã não venha a ser trágico como o foi o 27 de Maio de 1977, para falar exclusivamente do exercício do poder das gentes do Governo de Angola, que tardam em resolver uma questão que já justificou a perseguição e morte de alguém que lutava pela clarificação das eleições angolanas.

Angola ontem, hoje e amanhã... Angola que vai sarando feridas utilizando paliativos vários para amenizar a dôr de um Povo que tarda em receber os benefícios de algo que deseja desde tempos quase imemoriais: A PAZ!