segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS


TEMPO DE MUDANÇA?


 
 
 
Angola está a ser acusada de interditar o Islão, afirmando-se que depois de fechar a maioria das mesquitas do país, havendo até relatos acerca de violência e intimidação contra mulheres que usam o véu.
 A Comunidade Islâmica de Angola (ICA) alega que oito mesquitas foram destruídas nos últimos dois anos e que qualquer pessoa que pratique o islão corre o risco de ser considerada culpada de desobedecer ao código penal angolano.
Activistas dos direitos humanos condenam a repressão ampla. "Pelo que ouvi, Angola é o primeiro país do mundo a ter decidido interditar o islão", disse Elias Isaac, diretor nacional da Iniciativa Sociedade Aberta da África Meridional (Osisa). "Isto é loucura. O governo não tolera qualquer diferença."

As autoridades de Angola, país de maioria católica situado no sul da África, insistem que os relatos publicados na imprensa mundial, sobre uma suposta interdição do islão, são exagerados e que não estão sendo visados locais de culto religioso.
O Reino Unido acaba de nomear Angola um de seus cinco "parceiros de prosperidade de alto nível" na África, e os dois países mantêm um relacionamento comercial crescente.
O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, está no poder há 34 anos, sendo o segundo entre os chefes de Estado africanos no poder há mais tempo. Ele é acusado há anos de corrupção e violações dos direitos humanos.

As organizações religiosas em Angola precisam pedir reconhecimento legal, e o país hoje autoriza 83 delas, todas elas cristãs. No mês passado o Ministério da Justiça rejeitou os pedidos de 194 organizações, incluindo uma da comunidade islâmica.
Pela lei angolana, para conseguir reconhecimento legal um grupo religioso precisa ter mais de 100 mil membros e estar presente em pelo menos 12 das 18 províncias. O status legal dá-lhes o direito de construir escolas e locais de culto. Existem apenas estimados 90 mil muçulmanos entre os 18 milhões de habitantes de Angola.
David Já, presidente da Comunidade Islâmica de Angola, disse na quinta-feira: "Podemos afirmar que o islão foi interditado em Angola. É preciso ter 100 mil fiéis para ser reconhecido como religião. De outro modo, não se pode orar oficialmente."
De acordo com a ICA, existem 78 mesquitas no país, e foram todas fechadas, exceto as da capital, Luanda, porque são oficialmente não licenciadas. "As mesquitas de Luanda estavam previstas para ser fechadas ontem, mas, diante do furor internacional provocado pelos relatos de que Angola teria interditado o islão, o governo decidiu não fechá-las", disse Já.
"Assim, no momento as mesquitas de Luanda estão abertas, e as pessoas estão indo a elas para fazer suas orações."
Já disse que o governo começou a fechar mesquitas em 2010, incluindo uma na província de Huambo que foi queimada, "um dia depois de as autoridades nos avisarem que não deveríamos ter construído a mesquita naquele local e que ela deveria ser erguida em outro lugar. O governo se justificou dizendo que era uma invasão da cultura angolana e uma ameaça aos valores cristãos."
De acordo com Já, outra mesquita foi destruída este mês em Luanda e 120 exemplares do Alcorão foram queimados. Ele disse ainda que os muçulmanos receberam ordens de desmontar as mesquitas eles mesmos.
"Mandam uma ordem legal de destruirmos o prédio e nos dão prazo de 73 horas para fazê-lo. Se não o fazemos, o próprio governo faz."
As mulheres que usam o véu islâmico tradicional também estariam sendo visadas. "Do jeito como andam as coisas, a maioria das muçulmanas tem medo de usar o véu. Uma mulher foi agredida num hospital em Luanda por estar de véu, e, em outra ocasião, uma jovem muçulmana foi espancada e a mandaram deixar o país porque estava usando véu."
"Mais recentemente, meninas foram proibidas de usar o véu em escolas católicas. Quando fomos lá tirar satisfações com as freiras, elas simplesmente disseram que não podiam permitir o véu. Embora não haja uma lei explícita, escrita, que proíba o uso do véu em Angola, o governo proibiu a prática da fé e as mulheres têm medo de anunciar sua fé, nesse sentido."
As queixas do ICA foram confirmadas por Rafael Marques de Morais, ativista político e jornalista investigativo destacado no país. "Eu já vi a ordem que diz que os próprios muçulmanos devem destruir as mesquitas e levar os escombros embora, senão serão cobrados pelo custo da demolição."
Ele sugeriu que o governo estaria procurando um modo conveniente de desviar a atenção da crescente hostilidade pública em relação a trabalhadores chineses e portugueses em Angola.
"O governo precisa desviar a atenção. Quer encontrar um bode expiatório para as pressões econômicas, dizendo que o islão não tem relação com os valores e a cultura angolanos."
"O governo acha que uma lei abrangente contra o islão vai lhe angariar a simpatia tanto dos angolanos quanto dos setores da comunidade internacional que equacionam o islã com terrorismo."
Indagado sobre a possibilidade de protestos dos muçulmanos, Marques respondeu: "Se os muçulmanos tentarem manifestar alguma ira, serão deportados no dia seguinte".
Mas o governo angolano nega que faça qualquer tentativa de interditar o islão. "Não existe guerra em Angola contra o islã ou qualquer outra religião", disse Manuel Fernando, diretor de assuntos religiosos do Ministério da Cultura. "Não existe posição oficial que busque a destruição ou o fechamento de locais de culto, sejam eles quais forem."
Uma declaração da embaixada angolana nos EUA diz o mesmo: "A República de Angola é um país que não interfere na religião. Temos muitas religiões lá. É liberdade de religião. Temos católicos, protestantes, batistas, muçulmanos e evangélicos."
As autoridades de Luanda resumiram que "os muçulmanos radicais não são bem-vindos no país e que o governo angolano não está preparado para legalizar a presença de mesquitas em Angola", nação que se terá convertido no primeiro País do mundo a proibir o Islã.
...
Não estou muito ciente destas notícias, porque têm origem brasileira, essencialmente, e alguns comentários angolanos. No entanto, creio que a liberdade de culto é uma prorrogativa dos Povos e já chega de prepotência e aviltamento das pessoas. Querem ter uma religião? Porque não? São ateus? E isso que importa? A questão é terem direito à dignidade do ser humano em todas as circunstâncias.
 

domingo, 27 de outubro de 2013

ACONTECE...


General angolano acusado no Brasil
Tráfico de mulheres
Parente de José Eduardo dos Santos é suspeito de gerir uma rede de tráfico de mulheres brasileiras para Angola
 A Polícia brasileira acusou um parente do Presidente angolano por gerir uma rede de tráfico de mulheres do Brasil não só para Angola, que seria o principal destino, como para Portugal, África do Sul e Áustria, segundo o diário brasileiro Estado de São Paulo.
O general na reserva Bento dos Santos Kangamba, casado com uma sobrinha de José Eduardo Santos, tem ordem de prisão no Brasil e o nome na lista de procurados na Interpol, diz ainda o Estadão.
Um porta-voz de Kangamba desmentiu as acusações e diz que estas visam “atingir e caluniar outras personalidades”, cita a agência Angola Press.
Kangamba, 48 anos, é presidente do Kabuscorp (de Kangamba Business Corporation) Futebol Clube do Palanca (1ª divisão do campeonato angolano) e patrocinador, em Portugal, do Vitória de Guimarães.
Segundo o Estado de São Paulo, estas actividades teriam sido usadas na lavagem de dinheiro do crime organizado.
Em Julho deste ano, a publicação especializada Africa Monitor (editada por Xavier de Figueiredo), referia-se a um esforço do Governo angolano para lidar com outro caso envolvendo Bento Kangamba: a apreensão pelas autoridades alfandegárias francesas de cerca de três milhões de dólares, em dinheiro, encontrados “na posse de Bento Kangamba e outros indivíduos”.
A Polícia brasileira diz que a organização movimentou, desde 2007, 45 milhões de dólares com o tráfico de mulheres. Após um ano de investigação, diz o Estado de São Paulo, “foram cumpridos 16 mandados judiciais: cinco de prisão e onze de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Bernardo, Cotia e Guarulhos”. A Polícia apreendeu 11 carros de luxo, 23 passaportes, nove cópias de passaportes, 14 pedidos de visto para Angola e drogas.
As vítimas terão sido aliciadas em casas nocturnas de São Paulo, com promessas de 10 mil dólares para se prostituírem durante uma semana.
Há fortes indícios de que terão sido privadas da sua liberdade no estrangeiro, diz a polícia.
O general Bento Kangamba é um fanático doente pelo Benfica de Lisboa
A polícia federal emitiu um mandado de captura contra o General Bento dos Santos "Kangamba" por alegado envolvimento numa rede internacional de prostituição e tráfico de mulheres.
O conceituado jornal brasileiro Estado de São Paulo diz que o ministério da justiça deu acordo ao mandado de captura e Kangamba será preso caso desembarque no Brasil.
O nome de Kangamba foi, segundo ainda aquele jornal, também incluído numa lista da Interpol de pessoas a prender. 
O desmantelamento da rede de tráfico de mulheres para prostituição em Angola surge na sequência da “Operação Garina” que se arrastou durante quase um ano. A rede estava também envolvida no envio de mulheres para Portugal, África do Sul e Áustria. Neste último caso a polícia conhece apenas o envio de uma mulher.
No total a polícia conhece o caso de 90 mulheres.

Sabe-se que em alguns casos as mulheres não foram pagas daquilo que lhes havia sido prometido. O delegado da polícia Luiz Tempestino afirmou que pela lei brasileira as mulheres são tratadas como vítimas e não responderão criminalmente, ainda que algumas tenham sido levadas ao exterior pela mesma quadrilha quatro ou cinco vezes.
A rede alegadamente aliciava mulheres numa zona ao sul de São Paulo mediante promessa de pagamento de 10 mil dólares para se prostituírem pelo período de uma semana para clientes de grande poder económico e político.
As mulheres eram aliciadas em casas de diversão nocturna de São Paulo e da região sul do Brasil pelos membros da rede, que ofereciam a partir de 10 mil dólares para que elas se prostituíssem durante uma semana.
Modelos de capas de revistas masculinas e que participavam de programas de TV receberam até US$ 100 mil para se relacionar sexualmente com o general,” acrescentou o jornal.
A polícia brasileira disse ainda haver “fortes indícios” que algumas das mulheres foram privadas da sua liberdade e obrigadas a manter relações sexuais sem preservativos com os seus clientes.
Segundo o delegado, duas remessas de mulheres eram mandadas por mês ao exterior, cada uma delas com 4 ou 5 mulheres. As idades delas variavam entre 21 e 25 anos.
A polícia brasileira efetuou rusgas em quatro cidades, incluindo São Paulo e apreendeu 11 carros de luxo, 23 passaportes, nove cópias de passaportes, 14 pedidas de visto para Angola, moeda estrangeira e ainda drogas. Cinco pessoas envolvidas no processo foram presas, entre elas três aliciadores da rede.
“Há fortes indícios de que parte das vítimas foi privada temporariamente da sua liberdade no exterior e obrigada a manter relações sexuais sem preservativos com clientes estrangeiros", diz por outro lado um comunicado da Polícia brasileira, acrescentando que as vítimas recebiam, nesses casos, um falso tratamento de medicamentos anti-SIDA.
Estima-se que a organização criminosa movimentou aproximadamente US$ 45 milhões com o tráfico internacional de mulheres desde 2007
UM LONGO HISTORIAL DE ESCÂNDALOS
Em Julho deste ano o general Kangamba escapou à detenção no principado de Mónaco, por ser portador de um passaporte diplomático.
A polícia pretendia deter o general depois de ter confiscado quase três milhões de Euros e prendido cinco indivíduos que transportavam o dinheiro de Portugal para França.
O general encontrava-se hospedado num luxuoso hotel Metrópolitaine que fica a cerca de 50 metros do casino Monte Carlo.
Os cinco indivíduos foram detidos por branqueamento de capitais, crime organizado e associação de malfeitores.
O general Kangamba negou posteriormente em Luanda qualquer envolvimento no caso e disse tratar-se de uma campanha de difamação que tem como alvo o presidente José Eduardo dos Santos.
angola José Eduardo dos Santos, a primeira dama Ana Paula dos Santos, Avelina dos Santos (sobrinha do presidente) e o seu esposo, o general Bento dos Santos “Kangamba”.
 O general Kangamba é da família presidencial por via do seu casamento com Avelina Escórcio dos Santos, filha de Avelino dos Santos, o irmão mais velho de José Eduardo dos Santos.
Avelina dos Santos ocupou durante algum tempo o cargo de  directora-adjunta do gabinete do Presidente da República.
  A 7 de Maio de 2012 , um tribunal de Sintra, Portugal, ordenou a penhora de bens detidos por Bento Kangamba, nesse país europeu, para a execução de uma dívida de mais de um milhão de euros ao cidadão português Manuel Lapas.
Entre os bens penhorados constavam um apartamento de Bento Kangamba na freguesia de Oeiras, duas viaturas de luxo Mercedes-Benz e seis contas bancários no Millenium e Banco Espírito Santo, com um valor irrisório e total de €15.035.
No entanto, recentemente, o general adquiriu um apartamento de Luxo para o seu sogro, na zona da Expo, em Lisboa e adquiriu uma vivenda de luxo no principado de Mónaco, avaliada em vários milhões de euros. Era para o Mónaco precisamente onde ia o dinheiro confiscado pelas autoridades francês.
Foram publicadas notícias de que o General Kangamba teria também recentemente adquirido uma luxuosa vivenda nos arredores de Madrid.
Em Abril de 2012, o presidente José Eduardo dos Santos, na qualidade de comandante-em-chefe das Forças Armadas Angolanas (FAA), promoveu Bento Kangamba ao grau militar de general de três estrelas.
Isto apesar de que a 27 de Outubro de 2000, o Tribunal Supremo Militar havia condenado o então brigadeiro na reserva, a uma pena única de dois anos e oito meses de prisão maior, por cúmulo jurídico, como autor de crime de conduta indecorosa, burla por defraudação e dois crimes de falsificação de documentos. O empresário foi ainda condenado a pagar uma indemnização no valor de US $427,531 à empresa portuguesa Filapor – Comércio Internacional Lda, com sede em Portugal, que foi vítima de burla.
A 19 de Junho de 2002, Bengo Kangamba foi de novo condenado pela justiça angolana, quando o Tribunal Supremo condenou Bento Kangamba a uma pena de quatro anos de prisão maior, por crime de burla por defraudação, bem como ao pagamento de uma indemnização de US $75 mil às empresas Nutritiva e Lok.
 
 

sábado, 7 de setembro de 2013

O HOMEM QUE ASSASSINOU SAVIMBI



O general angolano na foto é Simão Carlitos Wala, que dirigiu a operação de liquidação de Jonas Savimbi. Pelo menos foi o que relatou ao historiador e veterano de guerra russo em Angola, Serguei Kolomnin. Aqui fica o relato.



"Em Abril de 2008, Serguei Kolomnin, escreveu. “Depois da morte de Savimbi, na nossa imprensa e na estrangeira, foram publicadas numerosas versões sobre as circunstâncias da sua morte. Falou-se dos serviços secretos soviéticos, americanos, e que na operação de liquidação de Savimbi participaram tropas especiais estrangeiras...”
“Quem matou Savimbi na realidade? E como?”, pergunta o veterano russo e responde com um nome:”brigadeiro Simão Carlitos Wala”.
Baseando-se no relato do oficial angolano, Kolomnin escreve: “No dia 16 de Dezembro de 2001, na região de Cassamba, o estado-maior móvel de Savimbi, que se deslocava de um lado para o outro, foi alcançado por destacamentos de “caçadores” governamentais. O próprio líder da UNITA conseguiu salvar-se fugindo. Ele vagueou pela savana durante quase um dia, sozinho, desarmado e sem guardas. Ele escapou por milagre e chegou a uma das bases da UNITA. Quando da fuga, ele deixou ficar não só toda a sua roupa e objectos pessoais, incluindo armas antigas raras, mas também vários pares de galões de general novos, acabados de chegar de Paris. Savimbi olhava para esses objectos com muita paixão.
Nesse combate, ele perdeu também três dos seus mais fiéis guardas, famosos pela sua crueldade extrema, que o acompanharam durante muitos anos. Eles foram feitos prisioneiros pelos “caçadores”. Isso foi uma espécie de sinal: a caça ao “Galo Negro” aproximava-se do seu fim lógico. E, finalmente, a 22 de Fevereiro de 2002, Savimbi e o seu estado-maior foram novamente alcançados por um destacamento de “caçadores”da 20ª brigada das Forças Armadas de Angola, comandada pelo brigadeiro Simão Carlitos Wala.
O mais jovem general angolano nessa altura (acabára de fazer 30 anos) contou, mais tarde, ao autor destas linhas a operação “Kissonda”, realizada pela sua brigada, que levou à morte de Sabimvi: “Eu estava convencido do êxito da operação, a que chamámos “Kissonda”.Savimbi, o seu estado-maior e os seus combatentes, depois de uma perseguição de muitos meses na savana, foram alcançados pelos “caçadores” na província do Mochico, na região dos afluentes do rio Lunga-Bungu: Luvua, Luonza e Lumai, perto da fronteira com a Zâmbia.Restavam 50 a 70 quilómetros para lá chegar. Ele movimentava-se para o Oriente, avançava para onde era esperado por um destacamento armado da UNITA, comandado pelo general Bicho. Inicialmente, Savimbi forçou o rio Luvua. Depois, sentindo a perseguição, ele, para tentar confundir pistas, dividiu o seu destacamento em várias partes. Uma, comandada pelo general Camorteiro, chefe do estado-maior das FALA, avançou para o Ocidente ao longo da margem esquerda do rio Luonza; outra, comandada pelo general Mole. Ele confundia constantemente as pistas, ora dirigia-se para Sul, ora virava para Norte. Parecia-lhe faltar pouco para escapar ao cerco. Mas os combatentes da 20ª cortaram todas as vias para a fronteira da vizinha Zâmbia. E Savimbi entrou em pânico. Quando, de manhã, por volta das sete horas, os nossos combatentes descobriram o rasto do grupo, ele sentiu isso e fugiu. Às 15 horas, entrou em confronto com os nossos destacamentos, foi atacado e morreu no tiroteio”(19ª) Este artigo do veterano russo termina com uma informação curiosa: “O mais jovem general das Forças Armadas de Angola, o homem que comandou a operação “Kissonda”, que levou à liquidação de Savimbi, foi... posto na reserva e enviado para a Rússia, para estudar na Academia Militar Frunze. Para longe do pecado. E se algum dos membros irreconciliáveis da UNITA vivo decidir vingar Sabimbi?”"

***
Este Tenente- general Simão Carlitos Wala é o mesmo que foi acusado de agredir um funcionário da repartição das Alfândegas, no aeroporto 4 de Fevereiro de Luanda, rejeitando também que as suas malas passassem pela revista, quando desembarcou de um vôo proveniente de Paris, fazendo-se acompanhar de alguns volumes de malas. Diante da exigência dos trabalhadores do aeroporto, para que cumprisse com o regulamento da revista, aquele oficial militar terá incorrido a uma alteração áspera fora do habitual, acabando por cair por cima de um funcionário, apenas identificado por “Leonel”.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

ANGOLA... hoje em dia

Com a devida vénia, publico um escrito que não desdenharia escrever, mas que a Solange, o Rafael Marques e todas as pessoas honestas de Angola não se esqueceram de o fazer, porque é dever patriótico continuar a lutar por uma coisa chamada VERDADE, sabendo embora que ficam sujeitos a perder outra coisa bastante distinta, que se chama LIBERDADE.
O Engenheiro Eduardo dos Santos, cujo estudo e trabalho na antiga União Soviética lhe devem ter  permitido juntar um bom pecúlio, tão grande que deu para tornar a filhinha querida na mulher mais rica de África e uma das mais ricas do mundo.
Lógico que se isso é com a parte que lhe competia nos bens do papá, este deve estar podre de rico, a fazer fé naquilo que se sabe dos gastos fabulosos que ele e aqueles que o rodeiam fazem um pouco por todo o mundo.
Mas... deixemos falar a Solange: 

"Somos o povo especial escolhido do Sr. Engenheiro.
  E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade.
 Temos o asfalto cada dia mais esburacado.
 Os que, de entre nós, vivem na periferia, não têm nada. Nem sequer asfalto. Só a miséria, o lixo, os mosquitos, as águas paradas e inquinadas. Hospitais?!!! Nem pensar.
 O povo especial do Sr. Engenheiro não precisa. Não adoece. Morre apenas, mesmo sem saber porquê.
E quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão mudar minimamente, descobre-se logo que as máquinas são chinesas, com manuais chineses sem tradução e que ninguém sabe operá-las... Estas são opções especiais para um povo especial.
Educação?!! O povo especial não precisa disso. Cospe-se na rua (e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco...), vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições.
Escolas para quê e para ensinar o quê?!!
 
 Que o Sr. Engenheiro é um herói,  porque fugiu ali algures da marginal acompanhado de outros tantos magníficos?!!!
 Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual, mas nada os impediu de transformar um dia qualquer num feriado nacional?!!!!
 O embuste da história recente de Angola é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas muitas mentiras que inventaram...
Se incomodarmos o Sr. Engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana dele... e nós ficamos quietos a vê-los barrar as ruas anarquicamente, sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos. O povo especial nem precisa ir trabalhar quando resolvem fechar as ruas.
Se sairmos para almoçar e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese: como o povo especial não precisa de comer, dá-se meia volta de barriga vazia e volta-se para o emprego.
E isto quando não ficamos horas parados à espera que o Sr. Engenheiro e sua comitiva recolham aos seus lares e nos deixem, finalmente circular.
Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca. Sim, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado.
Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses. Sodomizada. Sistematicamente. Dia e noite.
 Está exaurida; de rastos, de cócaras diante dos novos "amigos" do Sr. Engenheiro. Eles dão-se, inclusive, ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua.
A ilha do Cabo tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana: CINCO!!!! A China Town está instalada em Luanda.
As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção, admirem-se, estão escritas na língua deles. Eles são os novos senhores. Os amigos do Sr. Engenheiro.
A par do Sr.Falcone... a este foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático. Aos outros, que andam aos bandos, é-lhes oferecida a carne fresca das nossas meninas. Impunemente. Alegremente. Com o olhar benevolente dos canalhas de fato e gravata.
Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, caçam os pedófilos. Aqui, criam e estimulam pedófilos. Acham graça.
Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é. Nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo, assim que fazemos 40 anos.
Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia. E quem dura mais tempo, é castigado: ou tem parentes que cuidem ou vai para a rua pedir esmola!
Importam-se carros. E mais carros. De luxo. Esta é a imagem de marca deles: carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. Ah... e telemóveis!!!!
Qualquer 'Prado' ou 'Hummer' tem que levar ao volante um elemento com telemóvel. Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz. Aqui é sinal de status, de vaidade balofa!!!!!!!!!!
  Pobre povo especial. Sem transportes, sem escolas, sem hospitais. À mercê dos candongueiros, dos "dirigentes" e dos remédios que não existem. Sem perspectivas de futuro. Os nossos "amanhãs" já amanhecem a gemer: de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo, de corrupção, de incompetência, de doenças antes erradicadas, de ira contida, de revolta recalcada.
  O grito está latente. Deixem-no sair: BASTA!!!!!!
- Solange"
                                                                    +++*+++
 "Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra"

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A LUNDA NORTE


OS TRABALHADORES SÃO TRATADOS COMO CÃES
Por vezes, sem que se saiba porquê, nasce em cada um daqueles que viveram Angola, aprenderam a amá-la e a guardar dela aquilo que apenas a língua portuguesa consegue explicar aquele sentimento profundo a que se chama SAUDADE.
Alguns 'patrícios' não devem ter da sua terra uma imagem do que é a luta pela dignidade, pelo trabalho, pela amizade com aqueles que lhe estão próximos, pois encontraram um País com pés para andar, mesmo tendo sobrevivido a uma guerra de independência, pois foi a guerra civil que ditou a calamidade que atingiu Angola. E não se coíbem de falar daquilo que não sabem, acusando os colonizadores de tudo quanto de mau encontraram, porque o Partido assim o determinou e é bom ter alguém para dizer mal, pensarão esses iluminados.
Porque não resisto a chamar as coisas pelo seu nome, aproveito para aproveitar um escrito publicado no jornal PÚBLICO de hoje, referente àquela zona que tantas invejas criou um pouco por todo o mundo: A LUNDA NORTE.
 
 " Como uma ilha sem mar em redor, o Dundo, capital da Lunda Norte, é, de tão isolado, um lugar esquecido no mapa. O que liga a cidade ao resto da província e do país é frágil. E, nas aldeias, as únicas ligações ao mundo deste lugar, de onde chegam frequentes relatos de violência contra as populações, são os camiões que passam e a Rádio Nacional de Angola que é possível sintonizar.
Na maior parte da Lunda Norte, mais de cem mil quilómetros quadrados, não há electricidade e muito menos ligações telefónicas. As escolas e os centros de saúde ruíram com o tempo ou a guerra, que durou décadas e terminou em 2002. A vegetação e as árvores invadem, por entre buracos e janelas, fachadas suspensas sobre pedras e ruínas de casas sem água, luz e condições sanitárias mínimas.
Com a falta de meios, nem sempre é possível reconstruir, como aconteceu com muitas casas no Dundo. Os professores, uma das poucas profissões à margem da quase exclusiva actividade de extracção e comércio de diamantes, eram, pelo menos até há poucos anos, pagos pelo Estado, mas viviam em casas sem condições e só desejavam partir. Se precisam de tratamento médico, os habitantes da província deslocam-se, quando podem, a essa única cidade onde existe um hospital, também ele em parte destruído. Ou não procuram sequer assistência.
A Lunda Norte, no Nordeste de Angola, é um “fim de mundo”, onde se desafiam os limites do que é lei ou natureza. Parou no tempo. O que é regra lá fora é aqui excepção.
Só quem lá vive sabe. Só quem, com dificuldades, lá entra, pode imaginar o imenso fosso que separa a Lunda Norte do resto de Angola, e mesmo da Lunda Sul, onde também há extracção de diamantes, mas a vida se tornou diferente.
“O primeiro impacto foi de susto pelo que encontrei: ouvia falar de uma terra de muita riqueza e dinheiro, encontrei uma província muito pobre, esburacada, sem água, sem energia, com uma pobreza antropológica gritante, com problemas tribais graves, muitas seitas, cruzamento de interesses, invasão estrangeira por causa do garimpo dos diamantes”, descrevia, em Outubro de 2010, numa entrevista ao jornal espiritano Acção Missionária, o então bispo do Dundo, José Manuel Imbamba, com quem o PÚBLICO  agora não conseguiu falar.
Perto mas longe da Lunda Sul , o contraste entre as duas Lundas acentuou-se na última década pela maior atenção dada pelo poder
central ao Sul e pelo desempenho da Catoca, uma exploração a céu aberto apresentada como o quarto maior kimberlito — rocha que contém diamantes — do mundo.
Até 1978, a Lunda era uma única província. Nesse ano, Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, separou as zonas diamantíferas, o Norte, do resto da província. Só depois, já nos anos 1990, a Catoca, que hoje se assume como modelo a seguir pelas políticas de responsabilidade social, ganhou importância.
Colada à Lunda Sul, a Lunda Norte é um mundo à parte. Quem a visita, precisa de um visto especial. O viajante é quase invariavelmente interrogado sobre os motivos da deslocação, antes de partir de Luanda. “Ninguém entra nas Lundas sem restrições, tem de ter um documento a dizer porquê”, conta Shawn Blore, investigador sobre conflitos relacionados com diamantes, que visitou várias vezes a região, ao serviço de organizações não-governamentais internacionais.
De Luanda pode viajar-se para as Lundas por estrada, via Malanje, onde já é fácil chegar, mas a partir de onde o caminho se torna difícil, sinuoso, sujeito a sucessivos controlos policiais. As badaladas obras em 2012, a tempo das eleições gerais, alteraram em pouco o movimento no aeroporto do Dundo, que ainda só tem condições para receber pequenos voos."
(continua na próxima oportunidade)

domingo, 14 de julho de 2013

OLÁ, NEGAGE


Outrora, nos tempos em que havia Portugal em Angola, já na virada nos tempos, era aqui, bem pertinho, que chegou a funcionar  um posto aduaneiro, que ficava bem no centro de uma encruzilhada de estradas e caminhos , nos anos quarenta, era  'Ngaje'   uma povoação comercial que servia de sede do posto de Dimuca, concelho de Ambaca, sendo talvez a razão primeira que levou o Negage a ser erigido à condição de cidade!
Num flash de memória, vejo as montras da cidade, partindo da 3ª. Companhia - Congo Agrícola e caminhando rumo à Capôpa e vou parando frente a essas montras, sendo agora a vez da Papelaria 13, onde o senhor Horácio se afadiga a entregar a 'Bola' ou o 'Mundo Desportivo' aos clientes mais fiéis, que tudo fazem para manter a inscrição para os jornais em dia.  Seguidamente é a loja do irmão do Horácio, com novidades para o lar das meninas casadoiras. Atravessei, para descer pela rua que vai em  direcção à Capôpa, a rua perpendicular onde está SHELL e o PAD. Parei mesmo em frente ao 'Gaspar & Fernandes Lda' e deliciei os olhos com tudo quanto as montras expunham.
 Passei  mesmo  em frente da casa do velho 'Ginja', do Stwart , vi a montra da Foto Cruz, bebi uma NOCAL no Pérola do Negage,  andei a deambular um pouco por todo o lado, desci em direcção ao Cáua, passeando na alta varanda da casa, estilo colonial, do velho Sequeira.

A foto não é grande coisa, ao contrário das  lembranças que a mesma suscita. No entanto... o anúncio é por demais evidente: Ali já não é mais o "Gaspar & Fernandes" mas um qualquer comerciante que aproveitou a fama do antecessor, e eis agora a loja do Gonçalinho e da sua prole. É justo que se aproveite aquilo que de bom ainda existe no Negage. 
Reparo na foto que o piso é terra batida, 'Mac'Adame' pronto a receber o alcatrão, que ali existiu nos tempos do Administrador Reis, do Baganha e de toda a rapaziada que fazia do Negage a sua zona de acção. Já foi picada, sim senhor, e muito pó vermelho era 'comido' nos dias em que o vento fazia das suas. 
 Também o virar da  história deu  um aeroporto à cidade, em detrimento de um Aeródromo Base que foi estratégico e que tão cobiçado foi pelos Movimentos independentistas, especialmente a Unita, que por  várias vezes conquistou, nos anos noventa. Não foi apenas  a guerra, mas foram as guerras que desgastaram o alcatrão e fizeram nascer um outro NEGAGE, que a foto nos mostra, e  não podemos  deixar de nos emocionar pelas saudades tremendas daquilo que ali foi o nosso passado, mas também pelo  futuro que merece ser risonho.